segunda-feira, 11 de abril de 2011

Exemplos de Tipografia :





Na maioria dos casos, uma composição tipográfica deve ser especialmente legível e visualmente envolvente, sem desconsiderar o contexto em que é lido e os objectivos da sua publicação.
No uso da tipografia o interesse visual é realizado através da escolha adequada de fontes tipográficas, composição (ou layout) de texto, a sensibilidade para o tom do texto e a relação entre texto e os elementos gráficos na página. Todos esses factores são combinados para que o layout final tenha uma “atmosfera” ou “ressonância” apropriada ao conteúdo abordado.
Por muito tempo o trabalho com a tipografia, como actividade de projecto e industrial gráfica, era limitado aos tipógrafos (técnicos ou designers especializados), mas com o advento da computação gráfica a tipografia ficou disponível para designers gráficos em geral e leigos. Hoje qualquer um pode escolher uma fonte (tipo de letra) e compor um texto simples em um processador de texto. Mas essa democratização tem um preço, pois a falta de conhecimento e formação adequada criou uma proliferação de textos mal diafragmados e fontes tipográficas mal desenhadas.
O conhecimento adequado do uso da tipografia é essencial aos designers que trabalham na relação de texto e imagem. Logo a tipografia é um dos pilares do design gráfico e uma matéria necessária aos cursos de design. Para o designer que se especializa nessa área, a tipografia costuma se revelar um dos aspectos mais complexos e sofisticados do design gráfico.

Ricardo Reis

"Ser-me ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço."


Este extracto pertence ao poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, á beira do rio". O poema apresenta o desejo epicurista de usufruir o momento presente, a renuncia ao próprio gozo desse momento que é a vida e a explicação dessa renúncia como única forma de anular o sofrimento causado pela antevisão da morte. Nesta pequena parte do poema podemos ver o modelo de vivência amoroso defendido pelo poeta: se um deles morrer antes o outro não terá que sofrer por isso, uma vez que viveram um amor inocente, sem excessos.
Ricardo Reis era um epicurista, que procurava a felicidade mas moderada, que fugia á dor e que vivia em ataraxia, numa tranquilidade capaz de evitar a perturbação.
Ricardo Reis era também um estoicista, que aceitava as leis do destino, era um apático, que demonstrava uma enorme indiferença á dor e á paixão e que abdicava de lutar.
Este heterónimo de Fernando Pessoa era também crente nos deuses, tinha medo da morte e era intelectualizador das emoções.


Primeiro começámos por tentar "desenhar" um rio com palavras, com um tipo de letra suave mas pouco elaborado pois Ricardo Reis, era moderado e indiferente a vários sentimentos.

Alberto Caeiro

“Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem, 
Que traçam linhas de cousa a cousa, 
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais, 
E desenham paralelos de latitude e longitude 
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!

Este extracto pertence ao poema “Um Renque de Árvores”. Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade, com a qual contacta a todo o momento. Para Caeiro, “pensar” é estar doente dos olhos. Ver é conhecer e compreender o mundo, por isso, pensa vendo e ouvindo. Recusa o pensamento metafísico, afirmando que “pensar é não compreender”. É o poeta da Natureza que está de acordo com ela e a vê na sua constante renovação. E porque só existe a realidade, o tempo é a ausência de tempo, sem passado, presente ou futuro, pois todos os instantes são a unidade do tempo.


É um sensacionista a quem só interessa o que capta pelas sensações e a quem o sentido das coisas é reduzido à percepção da cor, da forma e da existência: a intelectualidade do seu olhar volta-se para a contemplação dos objectos originais. Constrói os seus poemas a partir de matéria não-poética, mas é o poeta da Natureza e do olhar, o poeta da simplicidade completa, da objectividade das sensações e da realidade imediata (“Para além da realidade imediata não há nada”), negando mesmo a utilidade do pensamento.


Nesta composição começamos por tentar representar uma árvore, pois queriamos representar o lado objectivo e ligado á Natureza de Caeiro.
Na árvore introduzimos uma placa devido á terceira estrofe do poema.
 

Proposta nº 2 - Heterónimos

Álvaro de Campos ,

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinistas em fúria!


Engenheiro naval e viajante, o heterónimo pessoano Álvaro de Campos é um vanguardista cosmopolita que exalta poemas em tom futurista acerca da civilização moderna e os valores do progresso. Procura incansavelmente “sentir tudo de todas as maneiras”, através dos mecanismos e da velocidade, daí ser apelidado como o “poeta da modernidade”. Com um estilo delirante e violento, aclama a civilização industrial e mecânica, numa atitude escandalosa, transgredindo a moral estabelecida.


           

Nesta proposta, com o heterónimo Alberto Caeiro, escolhemos a tipografia observada na imagem com o intuito de dar ênfase ao poema, onde as máquinas, as engrenagens, as rodas estão presentes, na sua fúria que representa o trabalho e velocidade a que trabalham. O ‘r’ para a construção na engrenagem deve-se á onomatopeia usada no poema, e a fúria destaca-se porque sendo Caeiro um futurista, o trabalho da máquina mostra isso mesmo, o progresso e ainda a intensidade, representada pela cor vermelha.